Mostrando postagens com marcador voz da galera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador voz da galera. Mostrar todas as postagens

12 de mar. de 2012

Vários textos: Francisco Elton


Hoje vamos trazendo vários textos, de poesias a artigos, produzidos pelo nosso colega Elton Martins, que volta e meia publica  algo no  nosso blog, sempre assuntos polêmicos e interessantes.
Abaixo você confere uma lista com os textos disponíveis e os seus respectivo links para leitura.
 
  
Literários:
 Crônica: Pessoas Fantásticas - leia aqui

Poesia perfumada -  leia aqui
Trabalhos:
 ANÁLISE CRÍTICO-REFLEXIVA DAS RELAÇÕES INTERTEXTUAIS, INTERDISCURSIVAS E INTRADISCURSIVAS EM CANÇÃO DO EXÍLIO (DIAS, 1846), NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (ANDRADE, 1945), UMA CANÇÃO (QUINTANA, 1962) E NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (GULLAR, 2000) - Leia aqui 

A ABORDAGEM DO SIGNIFICADO NO LIVRO DIDÁTICO PORTUGUÊS: LINGUAGENS, DE CEREJA E MAGALHÃES: Leia aqui

Os processos de formação de palavras de língua portuguesa em textos eletrônicos de sites diversos -  leia aqui

ANÁLISE DO LÉXICO DA AGRICULTURA NO SERTÃO CENTRAL CEARENSE - leia aqui

2 de jul. de 2011

Fausto Nilo por entre os tempos da cidade


“Escuto a correria da cidade, que alarde, será que é tão difícil amanhecer?” (Chico Buarque)

A lembrança de nossas origens é, ou talvez seja, o que há de mais importante para o ser humano na condição de projeção da identidade e da vivência do simbólico. Estamos sempre buscando o começo das coisas, não sei se para termos coragem de enfrentar o fim ou se para entendermos o que acontece no durante. A cidade de Quixeramobim, terra mãe do poeta Fausto Nilo, é a fonte de onde ele bebe e extrai a substância que alimenta a música das palavras que o fazem seguir em frente sem esquecer o antes, “Nesse instante, ó terra querida ainda estou procurando por ti/essa felicidade é uma lenda que me faz partir/Pra quem sabe o lugar de onde venho é tão claro onde quero chegar/ no deserto desse mundo novo eu vou te encontrar”. Assim, cantando sua aldeia, Fausto Nilo torna-se universal, criador e criatura, um documento da raça.Graça da mistura.
“É o azul que me atrai minha terra/No deserto do teu coração” como se vê, a nostalgia das origens inconsciente, mas ativa, motivada por uma cor surreal matuta na cabeça do poeta,faz dele ”um beduíno com ouvido de mercador”, e procura bem longe no achado de suas vivências por entre os tempos da cidade descortinar a beleza, a fascinação, o maravilhoso que da voz às palavras e aos silêncios “numa ciranda doce pelo ar”, embarca sem retorno e tudo se faz, de certa forma “criança na lembrança” do poeta-menino, a morada de uma “casa tudo azul’’ - antiga casa e padaria de seu pai - de onde extraiu o pão de sua poesia, “o alto da maravilha”, o “velho rio que não haveremos de esquecer”, o “nunca matar de passarinho”, o voltar sempre de “tardizinha lá nas Marinheiras”, a “ponte”, o “trem”, “o doce não esquece a tamarindo” com gosto das reminiscências da alegre infância onde tudo era festa e dança como num boi de reisado: “haja fogo/haja guerra/haja guerra que há”.
“Com o oriente posto em seu quintal” – Fausto tinha parentes sírio-libaneses- o menino cresce e o vivido naquela época adquire através dos versos do poeta-adolescente o “sabor azul” do beijo sonhado em “Dorothy L'amour”, musa dos tempos de Cine Skeff( Sirio-Libanês de novo) por quem teve uma paixão platônica. A voz se cristaliza no antigo “alto-falante” de Fenelon Câmara que o saúda com “um boa noite cordial”, trazendo na aurora boreal as lembranças de seu dolorido coração, que em outras noites já buscava as emoções de “um amor no pé do muro/ sem ninguém policiar”.
O futuro tal como o passado atrai o poeta-adulto, homem feito, arquiteto do verso, que procura suas raízes, sua identidade. “Quem sabe tudo estará sorrindo quando eu voltar?”, diz no partir, olhando no “retrovisor”, que deixa ver o que ficou pra trás, e mesmo distante desconstruindo os muros sua poesia guiada por uma “uma coisa acesa” questiona nosso caminhar presente,no “apitar da fabrica” que se agiganta e pinta a paisagem da cidade de outro azul, quase cinza, diferente do azul de outrora que encantou o menino e fez dele poeta. E como um Quixote moderno que tem suas pelejas e não foge à luta, Fausto Nilo segue na tentativa de amenizar o caos urbano, e nos mostra nas canções que “bela é uma cidade velha” e que “Felicidade, é uma cidade pequenina.”
 Bruno Paulino

2 de mai. de 2011

Eu defendo a Universidade pública


Orgulhosamente, eu estudo em uma Universidade pública. Pública, gratuita e de qualidade, apesar dos inúmeros problemas que enfrenta em seus quadros estrutural e humano. Infelizmente, porém, uma grande parcela da sociedade não se dispõe a refletir e, principalmente, a se informar a respeito do valor de uma Universidade Pública.Visão da FECLESC 02
São as Universidades Públicas que possuem um processo sério para a seleção de seus alunos. Muitas têm um vestibular próprio, como é o caso da UECE, e muitas outras passaram a aderir ao ENEM/SiSU como meio de ingresso, que é o caso da UFC. As seleções para uma grande Universidade Pública além de concorridas são difíceis. Este é, a meu ver, um indicativo de que naquela instituição não pode estudar qualquer um, embora, muitas vezes, uma boa parte dos que conseguem a aprovação não se dedica ao seu curso tanto quanto deveria, depois que nele ingressa. Mas isso já não é da minha conta. Já nas instituições particulares (não em todas, mas pelo menos na maioria delas) basta passar na calçada para se matricular. Os processos seletivos têm uma concorrência mínima e, geralmente, são constituídos por uma prova simplificadíssima que são um verdadeiro arremedo do conteúdo do Ensino Médio que, pressupõe-se, o candidato deveria saber para ingressar no Ensino Superior. Detalhe: embora não aconteça com todos, é de praxe que quem não passa em uma Universidade Pública procure uma particular para se matricular. O engraçado é que tem muita gente que ainda é esnobe pelo fato “magnífico” de estar estudando numa instituição particular, como se antes não tivesse tentando numa pública. Eu sentiria vergonha.
Muito bem. Depois do ingresso na Universidade devemos realizar nosso curso com seriedade e dedicação extremadas para termos não apenas um diploma, mas uma bagagem significativa de conhecimento, certo? Não, errado! Pelo menos para muita gente, não todos, a faculdade é época para, exclusivamente, farra, farra, farra. E adivinhem onde se concentra a maioria das pessoas com este pensamento? Nas faculdades particulares, em boa parte. E não é por acaso que elas têm – sempre – os piores resultados no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) e que a maioria dos cursos de graduação não reconhecidos pelo MEC são das instituições particulares. Mas também, vamos combinar, não dá para esperar bons resultados quando não se tem bons, e eu digo bons de verdade, alunos.
Os melhores estudantes são das Universidades Públicas. Os melhores resultados são das Universidades Publicas. É o MEC quem diz. Vejam no site oficial. Olhem os ENADEs dos últimos anos. É o que eu faço para me informar. Eu acompanho os resultados da minha Universidade, que são sempre bons. Isso apesar de não termos salas adequadas, laboratórios equipados, espaço para convivência e lazer e, muitas vezes, nem professores em quantidade suficiente. Somos uma Universidade Estadual jogada às traças. Mas orgulhosamente pública e que zela por seu padrão de qualidade, ou pelo menos tenta.
E que desenvolve pesquisa, ensino e extensão. Vejam também o site da UECE. Nossos professores-pesquisadores tem descoberto e editado documentos antigos e raros de nosso Estado, montado o primeiro grupo de estudos em Pragmática Cultural do Nordeste, desenvolvido uma vacina contra a dengue feita a partir de células de um tipo de feijão e nossa Universidade está entre a única do Brasil que tem desenvolvido um me2009_12_03_2999_thumb3 (1)canismo de software à prova de falsificações e invasões. A UECE abriu também o Mestrado em Nutrição, pioneiro no estado. A seu lado, a UFC acaba de abrir edital para o primeiro Doutorado em Letras – Literatura do Ceará e recentemente alunos do curso de Design de Moda venceram um concurso
estadual, concorrendo com outros alunos do mesmo curso, só que de instituições particulares. Além de muitos outros acontecimentos em diversas áreas do saber. Então, não dá para comparar. As duas maiores Universidades Públicas cearenses além de existirem há décadas, zelam pelo maior patrimônio que elas podem produzir – o conhecimento.
O pior é que as faculdades particulares encontraram um meio ótimo de sobrevivência – o PROUni. A instituição particular que adere ao programa fica isenta de impostos, mas nada garante que ela irá mesmo fornecer as bolsas, basta apenas que ela aceite ser cadastrada como adepta do PROUni. Sem falar nos famosos casos de bolsas que são concedidas a quem não precisa delas. E sem falar também que quando alguém carente consegue uma bolsa para uma instituição particular corre o risco de não ter como se manter no curso, já que não terá direito à bolsas de Assistência Estudantil, Iniciação Científica, Iniciação à Docência e Monitoria Remunerada, como há nas públicas.
Com relação ao quadro docente, as públicas também ganham. É bem verdade que há muitos bons professores nas particulares, mas eles não permanecem nelas por muito tempo até devido à instabilidade pelo fato de não serem considerados efetivos. Muitos destes docentes acabam migrando para as públicas. Nas públicas há mais Mestres e Doutores, até porque os professores precisam da ascensão funcional para ganharem cada vez melhor e poderem ter mais tempo para dedicação à pesquisa e desenvolvimento de seus projetos de extensão em benefício da própria sociedade. E por falar em extensão universitária, acredito que todos conheçam o maior projeto de extensão do Ceará, não á mesmo? Os Núcleos de Línguas da UECE, que oferece cursos de língua estrangeira e nacional a preço muito acessível à comunidade em geral, além de contar com um sistema de bolsas para os melhores alunos.
E com todas estas disparidades a favor da Universidade Pública ainda há quem tenha o nariz em pé ao ponto de se achar o máximo pelo fato de estudar em uma faculdade de esquina. Sinto muito pelo ardor de minhas palavras, perdão, mas é a verdade. E é por estas e muitas outras que EU AMO A UNIVERSIDADE PÚBLICA, com todos os seus defeitos e ratos e cobras e lagartos e telhas caindo sobre a minha cabeça. Pelo menos, quando uma telha cai, eu sei explicar, e encontro pesquisadores que também explicam, a fórmula da Lei da Gravidade, que fez com que isso acontecesse. Até a próxima!
FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE, uma instituição de Ensino Superior p-ú-b-l-i-c-a.

26 de abr. de 2011

Carta para Manuel Bandeira


sobrado onde morou Manuel Bandeira, atual casa paroquial de quixeramobim
Se eu possuísse algum talento para música, faria questão de compor a valsa que você, Manuel Bandeira, gostaria de ter composto para saudar Quixeramobim, queria com a minha melodia espantar os fantasmas que te atormentavam, grande poeta, em sua pousada no sobrado imponente da atual Casa Paroquial, de onde tu ouvias as batidas do sino de nossa igreja, que lhe soavam como enigmas.

Estimado Manuel Bandeira, esta cidade está dentro de nós, marcada em nosso equilíbrio de observadores. Ela nos segue onde quer que estejamos, e não há como fugirmos dela. Quem dera nossa Quixeramobim fosse hoje tal qual sua Pasárgada e todo mundo fosse amigo do rei. Mas não se engane, grande mestre das palavras, não foi a poesia que se afastou da nossa cidade, mas a realidade social, econômica e socialmente interpretada é que se afastou da poesia por essa terra em que buscavas cura.

Se me faltam talentos para compor valsa, escrever crônicas e falar de poesia, sobram-me saudade e petulância, as saudades não suas, meu caro Bandeira, com quem sempre me encontro nos versos que lhe fizeram imortal. Saudades tenho do Quixeramobim que não cheguei a conhecer e que era fácil o navegar, pois por aqui, como você pode constatar em sua estadia, existia um centro, donde o rio ditava as lições de geografia, e os casarões seculares não estavam ameaçados pelo tal ‘progresso’, hoje não passa de uma fotografia 3x4 triste das grandes cidades.

Mas nem tudo é melancolia, encantar-te-ia saber que o rio agora está cheio, acabando com o deserto que te punha medo. É bem verdade que sobre a velha ponte da estrada de ferro já não passa mais o trem. É que ela agora virou travessia dos sonhos de muitos transeuntes, que em busca do pão diário pelo trabalho, deixam o outro lado do rio e a cruzam em marcha. Esse espetáculo te deslumbraria, saudoso Manuel, acho até que tu escreverias um versinho pra ilustrar a luta desse povo que, como diz a letra do nosso hino, “Deus quer feliz”.

Tu, poeta, vê a cidade, a cidade vê a ti- no tempo presente – assim como ambos já se viram no passado, na vastidão do tempo. A qualidade de seus seres está refletida nos olhos de cada um, mas o que mudou com o passar dos anos?

p.s: Resposta a Crônica de Manuel Bandeira: Saudades de Quixeramobim
Por Bruno Paulino do Nascimento, Graduando em Letras pela Uece-Feclesc





20 de abr. de 2011

Estado laico: uso e definição


Têm-se noticiado com freqüência, casos de ações judiciais, protestos e denúncias contra o descumprimento do princípio do Estado laico no Brasil, como estabelece a Constituição, Art. 19: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.
São casos de uso de imagens, símbolos e oratórios religiosos em escolas e órgãos públicos; utilização de recursos públicos na construção de imagens religiosas, entronizadas em praças públicas; imposição de ensino religioso confessional nas escolas públicas, sob força da Concordata Brasil-Vaticano; interferências religiosas fundamentalistas nas políticas públicas do Estado e no desenvolvimento de pesquisas genéticas, entre outros casos de desrespeito ao Estado leigo, por cidadãos comuns, religiosos e classe política.
É urgente esclarecer em que consiste o Estado leigo, e o faço conforme o Dicionário de Política, de Norberto Bobbio: “Na medida em que garante, a todas as confissões, liberdade de religião e de culto, sem implantar em relação às mesmas nem estruturas de privilégios nem estruturas de controle, o Estado leigo não apenas salvaguarda a autonomia do poder civil de toda forma de controle exercido pelo poder religioso, mas, ao mesmo tempo, defende a autonomia das igrejas em suas relações com o poder temporal, que não tem o direito de impor aos cidadãos profissão alguma de ortodoxia confessional. A reivindicação da laicidade do Estado não interessa, apenas, às correntes laicistas mas, também, às confissões religiosas minoritárias que encontram, no Estado leigo, as garantias para o exercício da liberdade religiosa.”
Assim, em nome da igualdade de direitos religiosos - e dos que não tem religião - e para prevenir a sociedade brasileira contra o acirramento das disputas religiosas, espera-se atitude coerente do poder público em prol da laicidade bem compreendida.

Diário do Nordeste, 22 de agosto de 2010
Marcos José Diniz Silva
Professor de História da Feclesc/ UECE / Doutor em sociologia pela UFC. (marcosjdiniz@oi.com.br
)

14 de abr. de 2011

A VIAGEM QUE PEDRO FEZ AO UMBIGO

Quem diria que a aula de Português, da qual Pedro tanto gostava, seria aquela lenga-lenga da diretora sobre o novo uniforme? A turma toda bocejava enquanto a D. Elvira explicava-lhes o porquê de usarem azul marinho na camiseta, e azul turquesa na calça. O tênis dos garotos devia ser branco e a sapatilha das meninas devia ser cor-de-rosa. Mas quem disse que estavam ligando pra isso? Estavam mesmo com vontade de vê-la sair logo dali, estavam com vontade de continuar a ótima aula de português que estavam tendo, até sua chegada.

Pedro sabia onde tudo ia acabar. Primeiro ela começava a falar a que viera depois falaria da bagunça que estava se tornando a hora do recreio e por fim, não só a sua, mas todas as outras turmas do Santa Isabel estariam lá no pátio, sob o sol ardente das dez e vinte da manhã, com gotas de suor escorrendo pelos rostos e a mão suando por sobre o peito. O juramento a bandeira acontecia sempre que ela desejava. A única que a pediria para ter pena dos alunos era a cúmplice dos pequenos. A velha merendeira D. Laura, que sempre os xingava nas horas da entrega da merenda, também qualquer um xingava, o empurra-empurra era grande e o Robinho até já sangrara o nariz nessa história. Tirando a merendeira, ninguém mais, nem os professores, todos estavam do lado dela. Até mesmo a fada que falava com as mãos. Isso era inaceitável.

- E eu sei que vocês adoram o intervalo e a merenda, mas não precisam correr como desesperados, há comida o suficiente para todos. Quantas vezes terei que repetir, não só para vocês mas para seus pais também, que aqui é uma escola, aqui deve reinar a ordem, a disciplina...

Pedro não a ouvira por completo, quando ela chegara na “...plina... e ... é... por...is...so ”, sua cabeça já caíra sobre o braço da carteira. Começou a caminhar, nem ele mesmo sabia como podia fazer aquilo. Os olhos arregalados. Não era de medo, era um “arregalamento” de incredulidade, de surpresa, de susto. Ele começou a caminhar por uma colina, embora duvido muito que naquele momento ele pensasse que fosse colina. E caminhou, como se tivesse destino certo. Subiu a pequena montanha e quando chegou ao topo, lá de cima ele pôde ter a certeza de onde se encontrava. Não havia sinal de diretora, nem de colegas, muito menos do anjo que falava com as mãos. Olhou para o chão e então algo o chamou a atenção:

“Nossa mãe, eu não acredito!”

E não acreditou mesmo. Fora necessário ele agachar e sentar na borda do grande buraco. Uma cacimba bem redonda. Um orifício que caberia dezenas e dezenas de Pedros lá dentro. Um buraco tão esquisito e ao mesmo tempo tão familiar, que Pedro deslizou sem medo nenhum para dentro dele. Do lado de dentro, percebeu que não era tão fundo como parecia ser, visto do lado de fora. Vendo assim de dentro, ele sentiu uma espécie de aconchego, embora o ar que penetrava em suas narinas não fosse tão agradável. Tinha cheiro de chiclete duro, e um leve sabor amarelo de cera de ouvido. Ele caminhou pelo buraco que parecia se alargar a medida que dava novos passos. E a medida que dava esses novos passos seus olhos se arregalavam novamente, desta vez não para ao redor, e sim para o chão. Ele não se movia como nas areias movediças, não tinha diamantes como as minas, nem tampouco tinha enormes pés de feijões crescendo de seu subsolo. Nada disso. Seus olhos se arregalavam ao ver que nascia do solo as lembranças das coisas que havia perdido em seus cinco ou seis anos de idade. Não necessariamente do solo, a metáfora aqui é só para exaltar o valor daquele solo, pois as lembranças nasciam das coisas que realmente estavam ali. De verdade. E ele sabia disso. Sabia que podia tocar a sua antiga chupeta azul, ainda com a fralda amarrada. Sabia, porque o fez que se apertasse o boneco mordido do Mickey ele ainda faria o saudoso “Fiu-Fiu”. Os olhos do garoto de doze anos ficaram úmidos ao ver a antiga foto do pai, amassada, rabiscada, e roída por algum bicho bem no olho de seu Joaquim. O padeiro se fora depois de experimentar um pedaço de pão e Pedro desde então chorara por sua falta. Como também não comeu mais pão desde então. As lágrimas deram lugar a um sorriso. Um sorriso torto, mas conformado. Olhando mais a frente Pedro viu, bem esticado no chão, um pouco amarelado e já com uma consistência dura, o seu chiclete que até ontem mastigava feliz da vida, e quando acabara o doce e ficou apenas a borracha, pôs dentro da lata do açúcar. Ou sua mãe ou Andréia o teria jogado no lixo. Com a foto do pai ainda na mão direita, levou o chiclete usado a boca com a esquerda. A caminhada continuou e parecia que a cacimba só crescia, não dava água líquida, mas dava uma água que molhava as lembranças tão importantes na vida de Pedro.

Encontrou o carrinho que seu pai lhe dera no natal em que ralou o joelho andando de bicicleta. Encontrou também a buzina dessa bicicleta que havia sumido misteriosamente. Em suas mãos já somava-se uma pequena sacola azul com o desenho de um pônei, e ainda na direita, repousava na palma suada a foto desgastada e muito valiosa. Enfim, algo o fez acordar.

A trilha o fez parar. Estava no fim do buraco. Andara em linha reta, não em círculo, nem para baixo e bem em sua frente estava o fim, bem ali no seu nariz, se encontrava a parte que ajudava a deixar a cacimba redonda. Toda suja de cera. Entendeu então de onde vinha tal cheiro. Mas não teve tempo de compreender o que estava fazendo dentro do próprio umbigo. Nem como aquilo era possível. Beliscou-se: “Ai!”. Não. Não era um sonho. Mas mesmo que não fosse, tinha de arranjar um jeito de ir para a escola, o juramento a bandeira já devia ter começado e a diretora com certeza notificaria sua ausência a sua mãe. E se isso acontecesse, como Pedro explicaria a sua mãe que estivera explorando o próprio umbigo?

Estava decidido a ir pra escola. Mesmo que não soubesse por onde começar.

- Então vamos!

A voz soou em sua cabeça e pensou que estivesse ouvindo fantasmas.

- Mais rápido aí atrás.

Aquela voz era inconfundível. Mesmo assim ficou com muitas dúvidas. “Como ela sabia onde eu estava?”. “Como ela podia estar dentro de meu umbigo?”. Os passos caminharam em sua cabeça, e Pedro teve medo de virar para vê-la. O tac-tac-tac do salto o fizeram se apavorar. Então ela apareceu.

A diretora o tomou pela mão e ainda assustado e coçando os olhos ele a seguiu.

autor: Cosme Potter

E não deixem de Acessar: http://estantedocosme.blogspot.com/

12 de abr. de 2011

Em defesa da profissão docente


Em meu artigo anterior, recordo-me de ter criticado a alguns professores de Cursos de Licenciatura, como são os que funcionam em nossa FECLESC, por depreciarem de forma até mesmo dura a profissão de professor, usando como argumento a “preocupação” de nos alertar para a “realidade da prática docente”. Neste artigo pretendo explicitar alguns de meus contra-argumentos a respeito da opinião de tais professores.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar bem claro que sei muito bem das injustiças e até mesmo barbaridades que acontecem na profissão docente, principalmente no âmbito da Educação Básica. Leio e vejo quase todos os dias em jornais, revistas e outros meios de comunicação que professores são xingados, agredidos, pressionados psicologicamente e até mesmo mortos pelo Brasil afora. Isso sem falarmos na desvalorização salarial gritante, na rotina altamente cansativa e no trabalho excessivo. Porém, sou otimista o suficiente para perceber que na carreira do magistério nem tudo são desgraças e demérito.
Quando escolhi esta carreira, muitos fatores pesaram a favor, em contraposição aos inúmeros fatores negativos. Minha família, a princípio, não gostou muito da ideia, mas decidi não escutá-la e afirmar minha decisão baseada em fatos que eu mesmo constatei. Para começar, a profissão de professor tem alto índice de empregabilidade, e este é um dos fatores, acredito, que faz com que a remuneração de um professor não seja tão alta. Reparemos que, por exemplo, uma Universidade como a UECE, atualmente, conta mais de mil professores em seu quadro docente, entre efetivos e substitutos (dados fornecidos pela própria PROGRAD). Não dá, em termos orçamentários, para uma Universidade ou Escola que seja pagar a um professor o mesmo que se paga para um Juiz Federal. E o motivo é simples: precisa-se muito mais de professores do que de juízes, e precisa-se dos primeiros em grandes quantidades. Como é necessária muita mão de obra docente para dar conta de um grande corpo discente, a única solução é pagar um pouco a cada um. Claro, esta que não é a solução ideal, nem quero que esta minha reflexão sirva como conformismo, mas apenas para que possamos pensar melhor antes de dizer que o “professor nunca terá sucesso profissional/financeiro simplesmente porque ninguém lhe dá valor”, como já ouvi da boca de determinados professores da FECLESC. A propósito disso, vocês lembram do último Edital de Concurso Público da Prefeitura de Quixadá, a pouco mais de um ano? Lembro-lhes de que o salário que estava sendo oferecido ao Dentista era menor que o oferecido ao Professor de Educação Básica, pela mesma carga horária semanal de trabalho. Oferecia-se, aproximadamente, R$ 1.375,00 àquele e R$ 1.400 a este. Viram? Nem sempre o professor ganha menos que todo mundo.
Outra coisa: como disse no parágrafo anterior, a profissão de professor tem alto índice de empregabilidade. No último Concurso para Professor Pleno do Governo do Estado do Ceará (mesmo com todas as polêmicas e contradições) estavam sendo oferecidas em todo o Estado, para todas as disciplinas, um total de 4.000 vagas. São muitas vagas, gente. Vocês já viram algum concurso público oferecer 4.000 vagas para dentistas ou enfermeiros ou arquitetos ou engenheiros ou advogados/defensores públicos ou médicos de uma só vez? Eu acredito que não, porque nestas outras áreas é mais difícil conseguir um emprego público, obtido por meio de um concurso sério que lhe dê estabilidade. Isto é um fato.
Conheço pessoas que terminaram graduações em Biomedicina ou Farmácia ou Enfermagem ou Administração ou Direito que estão DESEMPREGADAS. Vocês hão de convir que é bem mais difícil você terminar um Licenciatura e ficar sem emprego, porque a demanda nas escolas é muito grande e elas contratam o tempo todo. Façam uma seleção da CREDE. Não demorará muito para serem convocados a assumir uma sala de aula. Pode ser a sala de aula de uma favela, mas será sempre uma sala de aula, um emprego, afinal de contas. Não são poucos os que concluem os cursos acima citados, muitas vezes pagos em faculdades caríssimas, e ficam ou sem emprego ou tentando angariar até mesmo uma sala de aula para poderem ganhar algum dinheiro, o que é um grande absurdo porque tais pessoas não são LICENCIADAS à docência.
Sabe o que eu acho, afinal de contas? Eu acho que o que mais falta ao professor ou estudante de Licenciatura é autoestima. Isso mesmo! Falta amor-próprio e respeito por si mesmo. O que falta é nós não admitirmos de boca calada que qualquer um entre na sala de aula e se autodenomine ‘professor’. Por favor, não permitam que alguém os menosprezem pelo curso de Licenciatura que fazem ou pela profissão que irão exercer. Lembrem às pessoas desinformadas que o Professor é o mais essencial dos profissionais. Sei que é um clichê, mas qual profissional não passou pela mão do professor? Nenhum deles. E mais: acreditem no futuro de vocês, tenham a ousadia de dizer que podem, mesmo quando todos dizem o contrário. Para viver é necessário transcender a própria vida. E esta é, inclusive, uma das razões da existência da arte. E educar é a mais bela de todas, bem como a mais difícil. Orgulhem-se disto.
Autor: FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
              Estudante do Curso de Letras-Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE                   Leia o artigo anterior

5 de abr. de 2011

Ou os Maias estavam certos ou o Brasil pirou de vez

 

- Por Nathan Pereira

Se você é um daqueles malucos que acreditam com todas as forças que o mundo irá acabar em 2012 (O que não é o meu caso), agora tem mais alguns motivos para reafirmar sua loucura. Bom, supondo que eu acredito nas profecias madesenho-tv-06ias (O que também não deixa de ser um ato de reafirmação de minha loucura), resolvi enumerar alguns fatos recentes que se não me fazem acreditar no apocalipse em 2012, pelo menos me levam a um profundo e dramático questionamento sobre a humanidade: “A que ponto nós chegamos?”

Não precisamos nem ir tão longe para buscar fatos apocalípticos, basta lembrar que a pouco tempo atrás, aqui mesmo no Brasil, Romário e Tiririca foram eleitos deputados federais, e pasmem: Tiririca irá fazer parte da Comissão de Educação e Cultura! E não pára por aí, reflita comigo: como é possível viver alheio a um mundo onde Silvio Santos é pobre, Sandy é garota propaganda de uma cerveja chamada DEVASSA, adolescentes enjoados e com roupas coloridas fazem sucesso na mídia, Justin Bieber tem filme e biografia lançados, Faustão é magro e Ronaldo tem hipotireoidismo?

Isso tudo pode até parecer assustador, mas nada disso supera os sinais apocalípticos mais agressivos e evidentes até o presente momento: os sinais da TV brasileira. Primeiro a Redetv comprou os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol 2012 e 2014. Já pensou ter de ser obrigado a ver durante os intervalos dos jogos aquelas propagandas hiper toscas do Dolly Guaraná ou daquela câmara digital de 700 megapixels que filma, cozinha, limpa a casa, espanta ladrão e até bate foto?!!!! Convenhamos, nos seus 10 anos de existência a Redetv sempre foi uma emissora com uma grade de programação horrível e uma reputação mais horrível ainda. A começar pelo nome da emissora: REDETV! É como se você tivesse um cachorro de estimação e em vez de colocar o nome dele de Rex ou Totó, você simplesmente o chama de “Cachorro”!! “Cachorro! Vem cá! (Assobio)”. A lógica é: Como que você tem uma rede de TV e põe o nome dela de Redetv? É muita piração!!!

E não esqueçamos da nova atração da Redetv, que por sinal de nova não tem nada... Hebe Camargo!!!!!! Sim!!! Ela está de volta depois de passar um tempo descansando no sarcófago. Afinal, o que poderia ser pior do que assistir o programa da Hebe na RedeTv?

1) Ouvir Roberto Justus cantando “New York, New York” de Frank Sinatra

2) Ter que aturar a versão brasileira de REBELDE na Record

3) Assistir o Barra Pesada na hora do almoço

4) Ver todos aqueles nordestinos banguelos se esfolando e fazendo barraco no programa Casos de Família (Por que somente nordestinos vão naquele programa?)

5) Tirar férias da faculdade em agosto

6) Pagar quase 3,00 reais em um lanche miserável na lanchonete da Dona Socorro

Diante disso tudo o melhor que temos a fazer é desligar a maldita TV e estudar!!!!!! A qualquer sinal de alerta corram para as colinas!!!!!!!!!!!!!!!!! Mulheres, crianças e homens primeiro! Adolescentes por último - eles são maus! Muito maus!

4 de abr. de 2011

A ética tem passado longe de alguns de nossos “professores”

DSC05013 O semestre letivo 2011.1 da UECE mal começou e muitos de seus professores crudelíssimos já estão colocando suas garrinhas de fora. Sim, refiro–me a professores altamente desequilibrados que, não se sabe por qual motivo, chegam à sala de aula proferindo impropérios inconcebíveis dentro do ambiente em que estão e totalmente inapropriados ao público com o qual lidam.
  Falo de “professores” (é até um sacrilégio chamá-los pelo nome de uma profissão tão
bonita)  que todos os dias nos assustam, e até mesmo ameaçam, com palavras duras, frases preconceituosas (principalmente com relação à religiosidade dos estudantes)  e declarações de verdadeiro pessimismo para com a própria profissão que exercem e para a qual, a propósito, estão formando pessoas – profissão professor.
  Há aproximadamente duas semanas atrás tive o desprazer de assistir “aulas” de
“professores” que dizem ter o prazer de reprovar seus alunos em uma dada disciplina e, o que é pior, esses mesmos “professores” declaram em alto e bom tom que fazem questão de explicitar a um aluno quando algum trabalho seu não fica bom, de modo que o aluno sinta-se tão humilhado a ponto de chorar, mesmo que esse aluno dê nele, “professor”, uma facada quando este sair da sala de aula.
Estão pasmos? Essas foram exatamente as palavras de um “professor” de nossa Universidade.
“Professores” assim dizem mesmo que não concordam com princípios da Pedagogia Moderna e muito menos da Ética. Percebe-se. 
  Há outros desses “ilustres mestres” que fazem de suas “aulas” um verdadeiro discurso
contra a religiosidade do alunado ueceano. Defendem a ideia de que “crente” é “feio, mal cuidado, apagado, não  se arruma, não curte a vida”. O que um “professor” tem a ver com a religião que seu aluno segue ou deixa de seguir? Até onde eu saiba discriminar pessoas por quaisquer que forem suas peculiaridades pessoais é crime previsto em lei. Seria ótimo se todos lessem a Constituição de nosso país e vissem que somos IGUAIS. Acontece que alguns desses “professores” talvez não saibam nem ler, não é verdade? É válido ressaltar que há entre estes “professores” de nossa UECE alguns que até a roupa já tiraram em pleno céu aberto do campus universitário. Parece-me que em sinal de protesto a esta “podre sociedade capitalista” na qual vivemos. Protesto? Em meu dicionário, há outro verbete para definir tal atitude. Mas, se são contra o capitalismo, por que não lecionam de graça, prezados “professores”? Trabalho  voluntário é muito humanizante.  E por que seus filhos estudam nas melhores escolas particulares do Estado? Não me digam que uma instituição de ensino particular está isenta ou acima da sociedade capitalista, sendo verdadeiramente comprometida com o crescimento humano e intelectual de seu corpo discente.
  Porém, o mais interessante de tudo é ver “professores” nossos que trabalham com a
formação de outros profissionais da Educação simplesmente deturpando completamente a profissão de professor. Como pode? Não é esta profissão que lhes dá de comer? Vejam bem, sou uma pessoa que tem plena consciência de todos os problemas e até mesmo injustiças que pairam sobre a carreira docente, mas não posso deixar de amar uma profissão sem a qual não haveria, sob hipótese alguma, nenhuma construção se quer semelhante ao que nós chamamos de sociedade moderna. Não somos aborígenes. Já saímos das cavernas há tempo suficiente para tomarmos a consciência  de  que  o
professor é, queiram os pessimistas de plantão ou não, a mais essencial das profissões. Parem de tratar o professor com lamentos. Isso é deplorável. E é baboseira demais a encher os ouvidos  de quem já vive com a cabeça permeada de muitas vozes, a mesa cheia de muitos diários, provas e trabalhos e a conta bancária longe de ser preenchida como bem merece. Não admito que ninguém fale mal da profissão professor, muito menos quem ganha para exercê-la. Se não gosta dela, deixe-a.
  Há três coisas em minha vida que muito me orgulham: a instituição onde estudo
(Universidade Estadual do Ceará  –  UECE), o curso de graduação ao qual me dedico (Letras  – Língua Portuguesa / Licenciatura) e a profissão que escolhi para minha vida: Professor!

Autor: FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
           Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE

15 de jan. de 2011

Equilibrio

“Minhas sinceras condolências para os equilibrados”

Dizem os equilibrados que amar dói:
 Vá com calma!
Isso não vai dá certo!
Isso está errado!
E por aí vai...
Eu não.
Eu não Tenho medo da dor de amar.
 Tenho medo daquilo que não me trás sensação alguma.
Ora essa! Caro leitor,
Onde está a graça de viver se esquivando:
 - Não posso fazer isso.
- Não devo fazer aquilo.
Ponderar para quê? Pergunto-te.
Pois eu...
Quero sentir a ira e a temperança.
Quero sentir dentro de mim sabor e dissabores...
Sensações que fazem do homem um “tipo louco”.
Sem medo. Pudor. Ou qualquer coisa assim.
Por isso quero amar...
 Se isso faz doer...
Pois que venha para mim com toda força.
De forma visceral.
Porque quero simplesmente e necessariamente, ser uma criatura plena...


X             X               X



“Embriaguez”

Um par de olhos verdes me olhou e disse: quer vinho venha...
E eu fui.
Disse: quero.
Provei do vinho.
E o vinho tinha um sabor esquisito...
Era assim:
No começo travava na língua...
Mas aos poucos ia ficando suave...
Parecia uma mistura de três uvas chilenas.
Tinha um cheiro bom...
Lembrava asfalto molhado.
 Era realmente muito saboroso.
 Sendo assim, claro. Logo me embriaguei.
Só não sei se foi o vinho.
Tenho cá as minhas dúvidas.
É possível que tenha sido o efeito daquele par de olhos verdes me olhando...
De uma forma tão tênue e sincera jamais vista em outro alguém.
Isadora

11 de nov. de 2010

Margarida

quem é essa margarida?“Choro, gritos, surtos. Urros, sussurros. Soluços que invadem meus ouvidos... De onde vem? Ei! Ei! Tem alguém aí? Tem alguém aí? Silêncio. Ele se ocultou. Mas ele quem? Será que realmente ouvi? Sei lá... Opa! Voltei a ouvir... Agora são duas vozes... Quem está aí? Responda. Eu ordeno. Silêncio. Mais uma vez silêncio. Essa voz vai e vem... Não posso mais... Quero saber quem são... de onde vem... porque vem...”

X X X

“Alma (des) equilibrada. Paradoxo eterno de quem ama o irreal. Admiro a mutação que torna cada instante um momento possível de ser. Ter sensações normais!? Eca!Que tédio. Quero explosão... Boom... Olho no olho... Carne semi - incinerada. Ardendo em fogo e brasa. É o fim? Não. É o começo do fim. Juro que tento ser normal, mas é duro quando se vê o tempo passar mais rápido pra uns que para outros. Só tenho certeza de uma coisa: “quero que minhas forças me eternizem...”

Isadora