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17 de abr. de 2012

Eu desejo

Eu desejo que todos os dias você tenha um motivo para acordar. Que não apenas se levante roboticamente porque tem um dia cheio de obrigações que não quer cumprir e que não se sente feliz em fazê-las.
Eu desejo que tenha um café da manhã apetitoso, ou que pelo menos tenha um café da manhã que não lhe permita começar um dia de estômago vazio e alma esgotada.
Eu desejo que aonde quer que chegue você encontre pessoas fieis, sinceras e que saibam o que é o valor de uma amizade. Que essas pessoas não tenham com você apenas uma relação de coleguismo, mas uma relação de companheirismo e respeito.
Eu desejo que diante dos problemas da vida você simplesmente não baixe a cabeça e se auto-considere um derrotado sem ao menos conhecer o conceito de vitória. Porque ter problemas para resolver já significa que há a possibilidade de que você possa ser um grande vitorioso trancado no armário de seus medos.
Eu desejo que você lute pelas pessoas e que não as deixe escapar por entre seus dedos como se você não fosse sentir falta delas depois.
Eu desejo que você aprenda a dizer “Eu te amo” com a mesma naturalidade com que diz “Bom dia”, porém não com a mesma frieza.
Eu desejo que você não responda às pessoas que o criticam, porque simplesmente não vale a pena tentar mudar o pensamento de pessoas que são muito diferentes de você. Elas apenas se tornarão mais frias e distantes e isso o corroerá por dentro.
Eu desejo que você entenda que preconceito é apenas ignorância e que você deve sentir compaixão das pessoas que se recusam a aprender novas lições de vida.
Eu desejo que você compreenda que inveja é apenas insegurança. Quando alguém quer destruir outrem, isso só demonstra que esse alguém não é forte o suficiente para se impor com as qualidades que tem e que precisa apagar o brilho de outras pessoas que o ofuscam.
Eu desejo que você traduza os comentários negativos como elogios e os elogios como uma carta de responsabilidade que você recebe das outras pessoas. Portanto, só há motivos para seguir em frente e ser cada vez melhor humanamente e profissionalmente.
Eu desejo que você perceba que existe um limite entre simpatia e exposição. Ser simpático com as pessoas não significa deixá-las tratá-lo como alguém que não necessita ser respeitado.
Eu desejo que você seja brilhante e não medíocre, pois não há nada mais desprezível que alguém que não dá o seu máximo e fica procurando em alguma situação da vida um motivo para sua preguiça. E cada pessoa sabe de seu próprio nível de esforço e, portanto, já sabe se pode estar entre os medíocres ou entre os brilhantes.
Eu desejo que você entenda a diferença entre liberdade e libertinagem e que saiba que, muitas vezes, sendo libertinos, só estamos procurando uma saída para nossa prisão anterior.
Eu desejo que você ame sem limites, mas que você se ame primeiro, pois grande parte das pessoas só não realiza seus sonhos porque não tem autoestima suficientemente elevada para dizer a si mesma: “Eu sou capaz”.
Eu desejo que, independentemente do que aconteça em sua vida ou no mundo, você nunca desista de seus sonhos e que ensine às outras pessoas que tentar destruir os sonhos alheios não passa de uma grande mesquinhez e de uma clara demonstração de que se é covarde.
Elton Martins
Graduando em letras pela  FECLESC



29 de mar. de 2012

A Carta

Viver vale a pena? Estes dias estive pensando no quanto a vida é passageira e no quanto é veloz a sucessão dos dias. Mal eu acordo e já é hora de ir dormir novamente para, na manhã seguinte, começar tudo de novo, toda esta minha rotina sempre tão igual, sempre tão repleta de tantos afazeres. E as pessoas que estão ao meu redor fazem exatamente a mesma coisa que eu: estão sempre lotadas de trabalhos que consomem todo o seu tempo. Então, onde fica o tempo para as amizades, para a família e para o amor? Se mal temos tempo de nos falarmos em nosso dia a dia, como teremos tempo para conversar sobre nossos problemas e angústias com as pessoas que amamos? E acaso temos tempo de dizer que as amamos? Hoje acordei sentindo-me apenas um ser de plástico, vazio de sentimentos e emoções. Estive a pensar que um dia tudo isto acabará e que as pessoas de quem tanto gosto hoje terão simplesmente passado pela minha vida como fumaça ou como névoa. Talvez ainda me restarão alguns álbuns de fotografias velhas para as quais possa olhar e ver todas aquelas pessoas que um dia amei. Então, eu as verei apenas em um papel e isso doerá tanto... Lembrarei dos momentos que poderiam ter sido eternizados, mas que passaram com a velocidade do tempo. E no futuro, terei conquistado todas as minhas ambições e vaidades? Em que posto social estarei eu, então? Será que terei alcançado o respeito das autoridades e o prestígio a que tanto almejei com todo o meu esforço? Provavelmente, terei recebido prêmios e homenagens pela carreira brilhante que consegui construir, mas a quem eu abraçarei de alegria quando receber tais prêmios? Sentir-me-ei sem norte e sem chão se no meu futuro não houver pessoas que eu amo ao meu lado. E é por isso que paro e penso: a existência humana tem sentido? Poderá o homem decidir entre viver ou morrer. Eu decidirei se quero para mim uma vida plena ou esta morte diária chamada cotidiano. Mas apesar de querer viver, vejo o quanto ainda sou mesquinho e o quanto ainda me importo com coisas tão pequenas, quando me julgo ser tão autoconfiante. A não ser que eu não seja tão autoconfiante assim, já que tenho a consciência de minhas falhas, limitações e mediocridades.


Porém, a partir de hoje eu aceitarei o enorme desafio de lutar contra mim mesmo para tentar mudar-me. E como é difícil reconhecer-se falho e decidir transformar para melhor a própria essência. Quero ser mais humilde e menos indiferente, ter menos pressa ao abraçar as pessoas e distribuir mais bons-dias por onde quer que eu passe, pois estas pequenas cordialidades podem mudar tanta coisa. Quero dedicar mais tempo a perdoar do que a pedir perdão e, para isso, terei também que errar menos, já que cada erro meu necessita ser reparado com um pedido de desculpas. Quero não mais ter vergonha de dizer às pessoas que elas são bonitas quando eu realmente achar isso e também quero poder admitir quando alguém for melhor do que eu em algo. Quero não mais apenas pensar nas recompensas materiais conseguidas a partir de minha dedicação, mas principalmente esperar o respeito gratuito que conquistarei a cada dia simplesmente por ser a pessoa que sou. Quero não deixar de amar menos uma pessoa quando ela cometer um erro, pois eu erro todos os dias e sei que nem por isso as pessoas que me amam deixarão de gostar de mim tanto quanto gostavam antes. Quero principalmente ter a maturidade para também aceitar meus próprios erros, pois se eu fosse um ser perfeito não estaria, por exemplo, escrevendo esta carta tão autorreflexiva. Quero tentar pensar não nos aplausos que as pessoas me dariam toda vez que eu fizesse algo brilhante, mas na minha satisfação pessoal em ter alcançado uma meta difícil. Quero não mais recusar um sorvete de creme com passas quando alguém me oferecer um, um passeio ao final da tarde quando alguém me convidar, uma canção quando alguém quiser cantar uma para mim. Quero fracionar o meu dia para que eu possa ter tempo de, vez ou outra, telefonar ou enviar um e-mail para aquele(a) amigo(a) distante, simplesmente para dizer que não esqueci dele(a).

Talvez você esteja se perguntando por que eu entreguei uma cópia desta carta a você. E eu respondo: talvez porque você seja simpático(a) ou educado(a) quando eu passo por você, talvez porque você tenha um sorriso sincero e um olhar tão sincero quanto, talvez porque eu o(a) tenha magoado algumas vezes e esteja usando esta carta como pedido de desculpas, talvez porque simplesmente eu queira desabafar... E entre tantos ‘talvezes’, uma certeza: porque eu quero que você seja uma das pessoas que faz a minha vida valer a pena.


Elton Martins

12 de mar. de 2012

Vários textos: Francisco Elton


Hoje vamos trazendo vários textos, de poesias a artigos, produzidos pelo nosso colega Elton Martins, que volta e meia publica  algo no  nosso blog, sempre assuntos polêmicos e interessantes.
Abaixo você confere uma lista com os textos disponíveis e os seus respectivo links para leitura.
 
  
Literários:
 Crônica: Pessoas Fantásticas - leia aqui

Poesia perfumada -  leia aqui
Trabalhos:
 ANÁLISE CRÍTICO-REFLEXIVA DAS RELAÇÕES INTERTEXTUAIS, INTERDISCURSIVAS E INTRADISCURSIVAS EM CANÇÃO DO EXÍLIO (DIAS, 1846), NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (ANDRADE, 1945), UMA CANÇÃO (QUINTANA, 1962) E NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (GULLAR, 2000) - Leia aqui 

A ABORDAGEM DO SIGNIFICADO NO LIVRO DIDÁTICO PORTUGUÊS: LINGUAGENS, DE CEREJA E MAGALHÃES: Leia aqui

Os processos de formação de palavras de língua portuguesa em textos eletrônicos de sites diversos -  leia aqui

ANÁLISE DO LÉXICO DA AGRICULTURA NO SERTÃO CENTRAL CEARENSE - leia aqui

2 de mai. de 2011

Eu defendo a Universidade pública


Orgulhosamente, eu estudo em uma Universidade pública. Pública, gratuita e de qualidade, apesar dos inúmeros problemas que enfrenta em seus quadros estrutural e humano. Infelizmente, porém, uma grande parcela da sociedade não se dispõe a refletir e, principalmente, a se informar a respeito do valor de uma Universidade Pública.Visão da FECLESC 02
São as Universidades Públicas que possuem um processo sério para a seleção de seus alunos. Muitas têm um vestibular próprio, como é o caso da UECE, e muitas outras passaram a aderir ao ENEM/SiSU como meio de ingresso, que é o caso da UFC. As seleções para uma grande Universidade Pública além de concorridas são difíceis. Este é, a meu ver, um indicativo de que naquela instituição não pode estudar qualquer um, embora, muitas vezes, uma boa parte dos que conseguem a aprovação não se dedica ao seu curso tanto quanto deveria, depois que nele ingressa. Mas isso já não é da minha conta. Já nas instituições particulares (não em todas, mas pelo menos na maioria delas) basta passar na calçada para se matricular. Os processos seletivos têm uma concorrência mínima e, geralmente, são constituídos por uma prova simplificadíssima que são um verdadeiro arremedo do conteúdo do Ensino Médio que, pressupõe-se, o candidato deveria saber para ingressar no Ensino Superior. Detalhe: embora não aconteça com todos, é de praxe que quem não passa em uma Universidade Pública procure uma particular para se matricular. O engraçado é que tem muita gente que ainda é esnobe pelo fato “magnífico” de estar estudando numa instituição particular, como se antes não tivesse tentando numa pública. Eu sentiria vergonha.
Muito bem. Depois do ingresso na Universidade devemos realizar nosso curso com seriedade e dedicação extremadas para termos não apenas um diploma, mas uma bagagem significativa de conhecimento, certo? Não, errado! Pelo menos para muita gente, não todos, a faculdade é época para, exclusivamente, farra, farra, farra. E adivinhem onde se concentra a maioria das pessoas com este pensamento? Nas faculdades particulares, em boa parte. E não é por acaso que elas têm – sempre – os piores resultados no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) e que a maioria dos cursos de graduação não reconhecidos pelo MEC são das instituições particulares. Mas também, vamos combinar, não dá para esperar bons resultados quando não se tem bons, e eu digo bons de verdade, alunos.
Os melhores estudantes são das Universidades Públicas. Os melhores resultados são das Universidades Publicas. É o MEC quem diz. Vejam no site oficial. Olhem os ENADEs dos últimos anos. É o que eu faço para me informar. Eu acompanho os resultados da minha Universidade, que são sempre bons. Isso apesar de não termos salas adequadas, laboratórios equipados, espaço para convivência e lazer e, muitas vezes, nem professores em quantidade suficiente. Somos uma Universidade Estadual jogada às traças. Mas orgulhosamente pública e que zela por seu padrão de qualidade, ou pelo menos tenta.
E que desenvolve pesquisa, ensino e extensão. Vejam também o site da UECE. Nossos professores-pesquisadores tem descoberto e editado documentos antigos e raros de nosso Estado, montado o primeiro grupo de estudos em Pragmática Cultural do Nordeste, desenvolvido uma vacina contra a dengue feita a partir de células de um tipo de feijão e nossa Universidade está entre a única do Brasil que tem desenvolvido um me2009_12_03_2999_thumb3 (1)canismo de software à prova de falsificações e invasões. A UECE abriu também o Mestrado em Nutrição, pioneiro no estado. A seu lado, a UFC acaba de abrir edital para o primeiro Doutorado em Letras – Literatura do Ceará e recentemente alunos do curso de Design de Moda venceram um concurso
estadual, concorrendo com outros alunos do mesmo curso, só que de instituições particulares. Além de muitos outros acontecimentos em diversas áreas do saber. Então, não dá para comparar. As duas maiores Universidades Públicas cearenses além de existirem há décadas, zelam pelo maior patrimônio que elas podem produzir – o conhecimento.
O pior é que as faculdades particulares encontraram um meio ótimo de sobrevivência – o PROUni. A instituição particular que adere ao programa fica isenta de impostos, mas nada garante que ela irá mesmo fornecer as bolsas, basta apenas que ela aceite ser cadastrada como adepta do PROUni. Sem falar nos famosos casos de bolsas que são concedidas a quem não precisa delas. E sem falar também que quando alguém carente consegue uma bolsa para uma instituição particular corre o risco de não ter como se manter no curso, já que não terá direito à bolsas de Assistência Estudantil, Iniciação Científica, Iniciação à Docência e Monitoria Remunerada, como há nas públicas.
Com relação ao quadro docente, as públicas também ganham. É bem verdade que há muitos bons professores nas particulares, mas eles não permanecem nelas por muito tempo até devido à instabilidade pelo fato de não serem considerados efetivos. Muitos destes docentes acabam migrando para as públicas. Nas públicas há mais Mestres e Doutores, até porque os professores precisam da ascensão funcional para ganharem cada vez melhor e poderem ter mais tempo para dedicação à pesquisa e desenvolvimento de seus projetos de extensão em benefício da própria sociedade. E por falar em extensão universitária, acredito que todos conheçam o maior projeto de extensão do Ceará, não á mesmo? Os Núcleos de Línguas da UECE, que oferece cursos de língua estrangeira e nacional a preço muito acessível à comunidade em geral, além de contar com um sistema de bolsas para os melhores alunos.
E com todas estas disparidades a favor da Universidade Pública ainda há quem tenha o nariz em pé ao ponto de se achar o máximo pelo fato de estudar em uma faculdade de esquina. Sinto muito pelo ardor de minhas palavras, perdão, mas é a verdade. E é por estas e muitas outras que EU AMO A UNIVERSIDADE PÚBLICA, com todos os seus defeitos e ratos e cobras e lagartos e telhas caindo sobre a minha cabeça. Pelo menos, quando uma telha cai, eu sei explicar, e encontro pesquisadores que também explicam, a fórmula da Lei da Gravidade, que fez com que isso acontecesse. Até a próxima!
FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE, uma instituição de Ensino Superior p-ú-b-l-i-c-a.

12 de abr. de 2011

Em defesa da profissão docente


Em meu artigo anterior, recordo-me de ter criticado a alguns professores de Cursos de Licenciatura, como são os que funcionam em nossa FECLESC, por depreciarem de forma até mesmo dura a profissão de professor, usando como argumento a “preocupação” de nos alertar para a “realidade da prática docente”. Neste artigo pretendo explicitar alguns de meus contra-argumentos a respeito da opinião de tais professores.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar bem claro que sei muito bem das injustiças e até mesmo barbaridades que acontecem na profissão docente, principalmente no âmbito da Educação Básica. Leio e vejo quase todos os dias em jornais, revistas e outros meios de comunicação que professores são xingados, agredidos, pressionados psicologicamente e até mesmo mortos pelo Brasil afora. Isso sem falarmos na desvalorização salarial gritante, na rotina altamente cansativa e no trabalho excessivo. Porém, sou otimista o suficiente para perceber que na carreira do magistério nem tudo são desgraças e demérito.
Quando escolhi esta carreira, muitos fatores pesaram a favor, em contraposição aos inúmeros fatores negativos. Minha família, a princípio, não gostou muito da ideia, mas decidi não escutá-la e afirmar minha decisão baseada em fatos que eu mesmo constatei. Para começar, a profissão de professor tem alto índice de empregabilidade, e este é um dos fatores, acredito, que faz com que a remuneração de um professor não seja tão alta. Reparemos que, por exemplo, uma Universidade como a UECE, atualmente, conta mais de mil professores em seu quadro docente, entre efetivos e substitutos (dados fornecidos pela própria PROGRAD). Não dá, em termos orçamentários, para uma Universidade ou Escola que seja pagar a um professor o mesmo que se paga para um Juiz Federal. E o motivo é simples: precisa-se muito mais de professores do que de juízes, e precisa-se dos primeiros em grandes quantidades. Como é necessária muita mão de obra docente para dar conta de um grande corpo discente, a única solução é pagar um pouco a cada um. Claro, esta que não é a solução ideal, nem quero que esta minha reflexão sirva como conformismo, mas apenas para que possamos pensar melhor antes de dizer que o “professor nunca terá sucesso profissional/financeiro simplesmente porque ninguém lhe dá valor”, como já ouvi da boca de determinados professores da FECLESC. A propósito disso, vocês lembram do último Edital de Concurso Público da Prefeitura de Quixadá, a pouco mais de um ano? Lembro-lhes de que o salário que estava sendo oferecido ao Dentista era menor que o oferecido ao Professor de Educação Básica, pela mesma carga horária semanal de trabalho. Oferecia-se, aproximadamente, R$ 1.375,00 àquele e R$ 1.400 a este. Viram? Nem sempre o professor ganha menos que todo mundo.
Outra coisa: como disse no parágrafo anterior, a profissão de professor tem alto índice de empregabilidade. No último Concurso para Professor Pleno do Governo do Estado do Ceará (mesmo com todas as polêmicas e contradições) estavam sendo oferecidas em todo o Estado, para todas as disciplinas, um total de 4.000 vagas. São muitas vagas, gente. Vocês já viram algum concurso público oferecer 4.000 vagas para dentistas ou enfermeiros ou arquitetos ou engenheiros ou advogados/defensores públicos ou médicos de uma só vez? Eu acredito que não, porque nestas outras áreas é mais difícil conseguir um emprego público, obtido por meio de um concurso sério que lhe dê estabilidade. Isto é um fato.
Conheço pessoas que terminaram graduações em Biomedicina ou Farmácia ou Enfermagem ou Administração ou Direito que estão DESEMPREGADAS. Vocês hão de convir que é bem mais difícil você terminar um Licenciatura e ficar sem emprego, porque a demanda nas escolas é muito grande e elas contratam o tempo todo. Façam uma seleção da CREDE. Não demorará muito para serem convocados a assumir uma sala de aula. Pode ser a sala de aula de uma favela, mas será sempre uma sala de aula, um emprego, afinal de contas. Não são poucos os que concluem os cursos acima citados, muitas vezes pagos em faculdades caríssimas, e ficam ou sem emprego ou tentando angariar até mesmo uma sala de aula para poderem ganhar algum dinheiro, o que é um grande absurdo porque tais pessoas não são LICENCIADAS à docência.
Sabe o que eu acho, afinal de contas? Eu acho que o que mais falta ao professor ou estudante de Licenciatura é autoestima. Isso mesmo! Falta amor-próprio e respeito por si mesmo. O que falta é nós não admitirmos de boca calada que qualquer um entre na sala de aula e se autodenomine ‘professor’. Por favor, não permitam que alguém os menosprezem pelo curso de Licenciatura que fazem ou pela profissão que irão exercer. Lembrem às pessoas desinformadas que o Professor é o mais essencial dos profissionais. Sei que é um clichê, mas qual profissional não passou pela mão do professor? Nenhum deles. E mais: acreditem no futuro de vocês, tenham a ousadia de dizer que podem, mesmo quando todos dizem o contrário. Para viver é necessário transcender a própria vida. E esta é, inclusive, uma das razões da existência da arte. E educar é a mais bela de todas, bem como a mais difícil. Orgulhem-se disto.
Autor: FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
              Estudante do Curso de Letras-Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE                   Leia o artigo anterior

4 de abr. de 2011

A ética tem passado longe de alguns de nossos “professores”

DSC05013 O semestre letivo 2011.1 da UECE mal começou e muitos de seus professores crudelíssimos já estão colocando suas garrinhas de fora. Sim, refiro–me a professores altamente desequilibrados que, não se sabe por qual motivo, chegam à sala de aula proferindo impropérios inconcebíveis dentro do ambiente em que estão e totalmente inapropriados ao público com o qual lidam.
  Falo de “professores” (é até um sacrilégio chamá-los pelo nome de uma profissão tão
bonita)  que todos os dias nos assustam, e até mesmo ameaçam, com palavras duras, frases preconceituosas (principalmente com relação à religiosidade dos estudantes)  e declarações de verdadeiro pessimismo para com a própria profissão que exercem e para a qual, a propósito, estão formando pessoas – profissão professor.
  Há aproximadamente duas semanas atrás tive o desprazer de assistir “aulas” de
“professores” que dizem ter o prazer de reprovar seus alunos em uma dada disciplina e, o que é pior, esses mesmos “professores” declaram em alto e bom tom que fazem questão de explicitar a um aluno quando algum trabalho seu não fica bom, de modo que o aluno sinta-se tão humilhado a ponto de chorar, mesmo que esse aluno dê nele, “professor”, uma facada quando este sair da sala de aula.
Estão pasmos? Essas foram exatamente as palavras de um “professor” de nossa Universidade.
“Professores” assim dizem mesmo que não concordam com princípios da Pedagogia Moderna e muito menos da Ética. Percebe-se. 
  Há outros desses “ilustres mestres” que fazem de suas “aulas” um verdadeiro discurso
contra a religiosidade do alunado ueceano. Defendem a ideia de que “crente” é “feio, mal cuidado, apagado, não  se arruma, não curte a vida”. O que um “professor” tem a ver com a religião que seu aluno segue ou deixa de seguir? Até onde eu saiba discriminar pessoas por quaisquer que forem suas peculiaridades pessoais é crime previsto em lei. Seria ótimo se todos lessem a Constituição de nosso país e vissem que somos IGUAIS. Acontece que alguns desses “professores” talvez não saibam nem ler, não é verdade? É válido ressaltar que há entre estes “professores” de nossa UECE alguns que até a roupa já tiraram em pleno céu aberto do campus universitário. Parece-me que em sinal de protesto a esta “podre sociedade capitalista” na qual vivemos. Protesto? Em meu dicionário, há outro verbete para definir tal atitude. Mas, se são contra o capitalismo, por que não lecionam de graça, prezados “professores”? Trabalho  voluntário é muito humanizante.  E por que seus filhos estudam nas melhores escolas particulares do Estado? Não me digam que uma instituição de ensino particular está isenta ou acima da sociedade capitalista, sendo verdadeiramente comprometida com o crescimento humano e intelectual de seu corpo discente.
  Porém, o mais interessante de tudo é ver “professores” nossos que trabalham com a
formação de outros profissionais da Educação simplesmente deturpando completamente a profissão de professor. Como pode? Não é esta profissão que lhes dá de comer? Vejam bem, sou uma pessoa que tem plena consciência de todos os problemas e até mesmo injustiças que pairam sobre a carreira docente, mas não posso deixar de amar uma profissão sem a qual não haveria, sob hipótese alguma, nenhuma construção se quer semelhante ao que nós chamamos de sociedade moderna. Não somos aborígenes. Já saímos das cavernas há tempo suficiente para tomarmos a consciência  de  que  o
professor é, queiram os pessimistas de plantão ou não, a mais essencial das profissões. Parem de tratar o professor com lamentos. Isso é deplorável. E é baboseira demais a encher os ouvidos  de quem já vive com a cabeça permeada de muitas vozes, a mesa cheia de muitos diários, provas e trabalhos e a conta bancária longe de ser preenchida como bem merece. Não admito que ninguém fale mal da profissão professor, muito menos quem ganha para exercê-la. Se não gosta dela, deixe-a.
  Há três coisas em minha vida que muito me orgulham: a instituição onde estudo
(Universidade Estadual do Ceará  –  UECE), o curso de graduação ao qual me dedico (Letras  – Língua Portuguesa / Licenciatura) e a profissão que escolhi para minha vida: Professor!

Autor: FRANCISCO ELTON MARTINS DE SOUZA
           Estudante do Curso de Letras – Língua Portuguesa / Licenciatura da FECLESC / UECE