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7 de mar. de 2012

Aluno da Feclesc publica livro em Quixeramobim

Bruno Paulino, aluno do Curso de Letras da FECLESC publica o seu livro onde o título é buscado da tradição poética da canção de Fausto Nilo "Marinheiras" (genialmente interpretada por Nara Leão), é um livro de crônicas e memórias, mas que tem um pouco da história social de Quixeramobim. Trata-se de uma espécie de Parságada de Manuel Bandeira, ou seja um lugar pintado no azul (onde o azul é cor do indizível segundo Fausto Nilo) nele o autor afirma ter todos os vícios e virtudes de um cronista em formação.

1 de mar. de 2012

Kururunautas: Super Nintendo

O programa Kururnautas de hoje vai lembrar os tempos de Super Nintendo. Hoje a Participação Especial da autarquia de Quixeramobim: Bruno Paulino, Nathan Pereira, o super gênio dos games e Diego Lindolfo, que estava de penetra.
Ouça aqui:   

Ou se quiser ouvir depois baixe o programa clicando aqui:

2 de jul. de 2011

Fausto Nilo por entre os tempos da cidade


“Escuto a correria da cidade, que alarde, será que é tão difícil amanhecer?” (Chico Buarque)

A lembrança de nossas origens é, ou talvez seja, o que há de mais importante para o ser humano na condição de projeção da identidade e da vivência do simbólico. Estamos sempre buscando o começo das coisas, não sei se para termos coragem de enfrentar o fim ou se para entendermos o que acontece no durante. A cidade de Quixeramobim, terra mãe do poeta Fausto Nilo, é a fonte de onde ele bebe e extrai a substância que alimenta a música das palavras que o fazem seguir em frente sem esquecer o antes, “Nesse instante, ó terra querida ainda estou procurando por ti/essa felicidade é uma lenda que me faz partir/Pra quem sabe o lugar de onde venho é tão claro onde quero chegar/ no deserto desse mundo novo eu vou te encontrar”. Assim, cantando sua aldeia, Fausto Nilo torna-se universal, criador e criatura, um documento da raça.Graça da mistura.
“É o azul que me atrai minha terra/No deserto do teu coração” como se vê, a nostalgia das origens inconsciente, mas ativa, motivada por uma cor surreal matuta na cabeça do poeta,faz dele ”um beduíno com ouvido de mercador”, e procura bem longe no achado de suas vivências por entre os tempos da cidade descortinar a beleza, a fascinação, o maravilhoso que da voz às palavras e aos silêncios “numa ciranda doce pelo ar”, embarca sem retorno e tudo se faz, de certa forma “criança na lembrança” do poeta-menino, a morada de uma “casa tudo azul’’ - antiga casa e padaria de seu pai - de onde extraiu o pão de sua poesia, “o alto da maravilha”, o “velho rio que não haveremos de esquecer”, o “nunca matar de passarinho”, o voltar sempre de “tardizinha lá nas Marinheiras”, a “ponte”, o “trem”, “o doce não esquece a tamarindo” com gosto das reminiscências da alegre infância onde tudo era festa e dança como num boi de reisado: “haja fogo/haja guerra/haja guerra que há”.
“Com o oriente posto em seu quintal” – Fausto tinha parentes sírio-libaneses- o menino cresce e o vivido naquela época adquire através dos versos do poeta-adolescente o “sabor azul” do beijo sonhado em “Dorothy L'amour”, musa dos tempos de Cine Skeff( Sirio-Libanês de novo) por quem teve uma paixão platônica. A voz se cristaliza no antigo “alto-falante” de Fenelon Câmara que o saúda com “um boa noite cordial”, trazendo na aurora boreal as lembranças de seu dolorido coração, que em outras noites já buscava as emoções de “um amor no pé do muro/ sem ninguém policiar”.
O futuro tal como o passado atrai o poeta-adulto, homem feito, arquiteto do verso, que procura suas raízes, sua identidade. “Quem sabe tudo estará sorrindo quando eu voltar?”, diz no partir, olhando no “retrovisor”, que deixa ver o que ficou pra trás, e mesmo distante desconstruindo os muros sua poesia guiada por uma “uma coisa acesa” questiona nosso caminhar presente,no “apitar da fabrica” que se agiganta e pinta a paisagem da cidade de outro azul, quase cinza, diferente do azul de outrora que encantou o menino e fez dele poeta. E como um Quixote moderno que tem suas pelejas e não foge à luta, Fausto Nilo segue na tentativa de amenizar o caos urbano, e nos mostra nas canções que “bela é uma cidade velha” e que “Felicidade, é uma cidade pequenina.”
 Bruno Paulino

26 de abr. de 2011

Carta para Manuel Bandeira


sobrado onde morou Manuel Bandeira, atual casa paroquial de quixeramobim
Se eu possuísse algum talento para música, faria questão de compor a valsa que você, Manuel Bandeira, gostaria de ter composto para saudar Quixeramobim, queria com a minha melodia espantar os fantasmas que te atormentavam, grande poeta, em sua pousada no sobrado imponente da atual Casa Paroquial, de onde tu ouvias as batidas do sino de nossa igreja, que lhe soavam como enigmas.

Estimado Manuel Bandeira, esta cidade está dentro de nós, marcada em nosso equilíbrio de observadores. Ela nos segue onde quer que estejamos, e não há como fugirmos dela. Quem dera nossa Quixeramobim fosse hoje tal qual sua Pasárgada e todo mundo fosse amigo do rei. Mas não se engane, grande mestre das palavras, não foi a poesia que se afastou da nossa cidade, mas a realidade social, econômica e socialmente interpretada é que se afastou da poesia por essa terra em que buscavas cura.

Se me faltam talentos para compor valsa, escrever crônicas e falar de poesia, sobram-me saudade e petulância, as saudades não suas, meu caro Bandeira, com quem sempre me encontro nos versos que lhe fizeram imortal. Saudades tenho do Quixeramobim que não cheguei a conhecer e que era fácil o navegar, pois por aqui, como você pode constatar em sua estadia, existia um centro, donde o rio ditava as lições de geografia, e os casarões seculares não estavam ameaçados pelo tal ‘progresso’, hoje não passa de uma fotografia 3x4 triste das grandes cidades.

Mas nem tudo é melancolia, encantar-te-ia saber que o rio agora está cheio, acabando com o deserto que te punha medo. É bem verdade que sobre a velha ponte da estrada de ferro já não passa mais o trem. É que ela agora virou travessia dos sonhos de muitos transeuntes, que em busca do pão diário pelo trabalho, deixam o outro lado do rio e a cruzam em marcha. Esse espetáculo te deslumbraria, saudoso Manuel, acho até que tu escreverias um versinho pra ilustrar a luta desse povo que, como diz a letra do nosso hino, “Deus quer feliz”.

Tu, poeta, vê a cidade, a cidade vê a ti- no tempo presente – assim como ambos já se viram no passado, na vastidão do tempo. A qualidade de seus seres está refletida nos olhos de cada um, mas o que mudou com o passar dos anos?

p.s: Resposta a Crônica de Manuel Bandeira: Saudades de Quixeramobim
Por Bruno Paulino do Nascimento, Graduando em Letras pela Uece-Feclesc